terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Há um século, um incêndio destruía o Teatro Politeama

No dia 27 de dezembro de 1914, um incêndio destruiu o Teatro Politeama, que ficava na Avenida São João, no centro de São Paulo. Foi nesse teatro que Dimitri Sensaud de Lavaud expôs seu aeroplano São Paulo, com o qual realizara o primeiro voo do Brasil, em 1910, em Osasco. No livro, transcrevemos notas publicadas em jornais da época sobre a exposição, que contou com a presença do governador de São Paulo e vários sportsmen, como Gastão de Almeida, piloto de automóveis e pioneiro da aviação desportiva no Brasil.


Escreveu o jornal O Estado de S. Paulo na edição de 29 de dezembro de 1914: "Era um theatro feliz. Nasceu com um circo equestre, mas foi tudo, abrigou sob a sua cobertura de zinco tudo, desde os maiores artistas do canto e da comédia, até os mais humildes 'clowns'....e não havia companhia que se arruinasse alli..." O teatro, inaugurado em 1892, tinha recebido, entre tantos artistas, a atriz Sarah Bernhardt e o compositor Mascagni.


Abaixo, imagens do incêndio publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A nacionalidade de Dimitri

Afinal, Dimitri era espanhol, francês ou brasileiro? Os três. Embora tenha nascido na Espanha, ele tinha também nacionalidade francesa, por ser filho de um francês. Além disso, naturalizou-se brasileiro. E esse fato é comprovado: conseguimos cópia integral do processo de naturalização no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. O título de cidadão brasileiro foi concedido a Dimitri no dia 15 de fevereiro de 1916, pelo Ministério da Justiça.

Dimitri nasceu na Espanha em 1882, no período em que seu pai teve negócios por lá, mas veio para o Brasil ainda muito jovem, com cerca de 15 anos de idade. Ficou no Brasil por 18 anos, onde se casou com uma brasileira de Campinas, filha de franceses, com quem teve três filhos, todos nascidos no Brasil.

Dimitri tinha forte ligação com a França, terra do seu pai, falava português com sotaque francês e foi na França que passou os 27 últimos anos de sua vida. Todos os jornais brasileiros da época do voo, no início do século 20, referiam-se a Dimitri como francês. Por outro lado, na França ele era considerado brasileiro.

Uma curiosidade é que, de acordo com sua certidão de nascimento, cuja cópia nos foi enviada por Alain Cerf, autor do livro "Dimitri Sensaud de Lavaud - Um ingénieur extrodinaire" (Um engenheiro extraordinário), ele foi registrado com o nome de Mariano Demetrio Sensaud Bogdanoff, em homenagem ao seu avô materno, que era russo, como sua mãe. Veja o detalhe da certidão abaixo.


Mais tarde, adotou o nome Dimitri Sensaud de Lavaud, que aparece em sua certidão de casamento e em todos os documentos posteriores. Abaixo, um detalhe da certidão de casamento, que obtivemos no cartório onde ele se casou, em São Paulo.




Assim, embora Dimitri fosse espanhol de nascimento, as duas nacionalidades que abraçou durante a vida foram a francesa e a brasileira. Pelo mesmo motivo que não nos referimos a Carmen Miranda como uma atriz portuguesa (ela nasceu em Portugal), nem a Clarice Lispector como uma escritora ucraniana (ela nasceu na Ucrânia), tampouco nos referimos a Dimitri como espanhol. Ele era francês. E brasileiro.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Foto de Dimitri em pleno voo

Durante as nossas pesquisas para o livro "1910 - O Primeiro Voo do Brasil", encontramos uma foto de um suposto voo de Dimitri em Osasco. Essa foto foi publicada em vários jornais de Osasco, mas nenhum deles apontava a origem da imagem.

Muitos diziam que a foto era uma fraude. Eu nem queria incluir a imagem no livro, mas o editor achou que seria interessante publicar, com a ressalva de que não tinha sido possível confirmar sua autenticidade. Então, lá está ela, na página 97.

Pois bem, descobri que a foto não é fraude. Ela foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 1911, no dia em que Dimitri iria fazer seu último voo público, no Parque Antárctica. Na época da pesquisa, entre 2006 e 2010, era difícil acessar as edições antigas do jornal, mas agora estão todas digitalizadas e disponíveis na internet.

Na página 3 da edição de 19/02/1911, o jornal O Estado de S. Paulo publicou duas fotos: uma de Dimitri e outra de um aeroplano em pleno voo. É exatamente esta a foto que está em nosso livro.  Esse avião não é o São Paulo, construído por Dimitri, mas um Blériot comprado por ele de um piloto italiano, Giulio Piccolo, que se acidentou com o aeroplano e morreu, no final de 1910, em São Paulo (conforme contamos no livro, nas páginas 96-99). Além das fotos, há apenas o título "A aviação em S. Paulo" e as legendas: “Um voo de Sensaud em Osasco. O aviador Sensaud, que hoje voará no Parque Antárctica”.

Para ver esta edição do jornal, é só acessar o site do Acervo Estadão.

Jornal O Estado de S. Paulo de 19/02/1911: única foto de Dimitri em pleno voo encontrada em nossas pesquisas

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Documentário sobre o primeiro voo do Brasil

Este documentário de 1994 sobre o primeiro voo do Brasil foi patrocinado pela Prefeitura de Osasco. Encontrei-o numa fita VHS durante as minhas pesquisas para o livro e finalmente consegui digitalizá-lo e postá-lo aqui no blog e no Youtube. Tem pouco mais de 10 minutos. Vale a pena ver.






segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Nosso livro no Estadão


O jornal O Estado de S. Paulo publicou hoje uma nota sobre o primeiro voo e mencionou o nosso livro. Página 2 do caderno Metrópole, de 21/03/2013. Leia a nota aqui.


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Antigo hospital vai virar hotel de luxo

O jornal O Estado de S. Paulo noticiou hoje que o antigo Hospital Umberto Primo, também conhecido como Hospital Matarazzo, abandonado há 18 anos, foi comprado por um grupo francês e "será transformado em um complexo com hotel de luxo, centro cultural, dois teatros, cinemas, lojas e restaurantes". O prédio fica no bairro Bela Vista, na região central da capital paulista.

Esse hospital, inaugurado em 1904, foi construído pela construtora de Antonio Agu, o imigrante italiano que fundou Osasco e era amigo e sócio de Evariste Sensaud de Lavaud, pai de Dimitri Sensaud de Lavaud, o aviador que realizou o primeiro voo do Brasil. Essa história é contada em nosso livro.

É uma boa notícia saber que São Paulo terá de volta esse patrimônio histórico e arquitetônico.

Antigo Hospital Matarazzo foi construído por Antonio Agu
Foto: José Luís da Conceição/AE

terça-feira, 28 de junho de 2011

Nosso livro na Folha Ilustrada

O jornal Folha de São Paulo de sábado, 25/06/2011, citou nosso livro numa matéria do caderno Folha Ilustrada. Dá para ver neste link:  http://acervo.folha.com.br/fsp/2011/6/25/21/5712343